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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

FIA - Formula E - Próxima Temporada Será, Também, Campeonato de Construtores de Carros


Faz apenas dois dias que eu estava mostrando a foto de um Spark-Renault SRT 01E - O Carro Oficial da Temporada 2014 / 2015 da Fórmula E da FIA, para um conhecido meu que ainda não conhecia Formula E e, quando ele exclamou: "Carrão, hein!", eu expliquei que, a Formula E é diferente da Fórmula 1, também neste detalhe: NÃO HÁ CAMPEONATO DE CONSTRUTORES DE CARROS, apenas Pilotos & Equipes competem, e as equipes não são as construtoras dos carros, e nem sequer podem ser enquadradas como escuderias, pois, os carros utilizados nas provas não são de projeto proprietário delas.

Bem, pelo menos aquilo que eu expliquei a dois dias, ao menos por enquanto, ainda é verdade, porém, já ficamos sabendo hoje que, para a próxima temporada, 2015/2016, a FIA - Formula E será, também, um Campeonato de Construtores de Carros.

Isto significa dizer, ainda, que o tempo de reinado do Spark-Renault SRT 01E como o carro exclusivo da Formula E já vai chegar ao fim, muito embora eu não saiba absolutamente nada, até agora, sobre algum novo carro formula E que já tenha sido (ou que está para ser) apresentado para homologação, mas nos próximos meses, ou semanas, é isso mesmo que deveremos ver.

Spark-Renault SRT 01E - O Carro Oficial da Temporada 2014 / 2015 da Fórmula E da FIA
No entanto, já quanto aos construtores, estes sim, já estão se apresentando. O artigo fonte da informação que é titulado "Formula E presents 8 manufacturers for season 2" do site especializado "Electric Autosport", dá conta de oito nomes de Construtores de Carros Formula E para a temporada 2015/2016 da Formula E.

Segundo o Electric Autosport, que foi o primeiro site a nível mundial dedicado a cobrir integralmente a Formula E, na sequência de um processo de concurso, e de uma análise aprofundada de cada um dos pretendentes a Construtores de Carros Formula E, por fim a FIA  selecionou e anunciou os oito seguintes:
  • ABT Sportsline;
  • Andretti;
  • Mahindra;
  • Motomatica;
  • NEXTEV TCR;
  • Renault Sport;
  • Venturi Automobiles;
  • Virgin Racing Engineering.
Então, na próxima temporada, a Renault não será mais a supervisora exclusiva de todo o sistema de integração dos carros de Fórmula E de todas as equipes de corrida, e responsável pelo controle e garantia de qualidade de todos eles, mas apenas dos carros da sua própria equipe construtora, a Renault Sport.

Todavia, há que se observar aqui, que a força do termo "construtores" poderá estar limitada, ainda nesta primeira próxima temporada, pois, a fim de limitar os custos e promover o investimento e a inovação nas áreas mais importantes a serem desenvolvidas, o alcance dos construtores é inicialmente restrito ao sistema de tração ("powertrain" ou, especificamente o motor elétrico, o inversor, a caixa de (transmissão) diferencial e o sistema de arrefecimento). Todas as demais partes sobre os carros vão permanecer como estão.

Um Momento da 1ª Corrida de Formula E em Pequim - China - Set/2014
Tais restrições são para focar os investimentos no desenvolvimento das partes mencionadas, e evitar que se gaste recursos importantes com desenvolvimentos aerodinâmicos, considerados menos prioritários neste momento. Em outras palavras, muito provavelmente, o corpo do carro de fórmula E continuará sendo o mesmo, e comum para todas as equipes, lembrando que ele adota uma estrutura monobloco (chassi e carroceria integrada, formando uma única peça).

Atualmente (antes da alteração do regulamento), os carros foram todos totalmente montados, originalmente, pela Spark Racing Technology (SRT), a partir de um corpo em estrutura monobloco produzido pela Dallara, Porém, assim como a Renault não mais supervisionará geral, e não obstante o fato de que a STR foi a empresa que fez o verdadeiro papel de construtora, até agora, na Formula E, também a STR não mais fará a montagem de todos os carros, e como você mesmos pode ver, o nome dela não figura, nem diretamente, nem embutido, no nome de nenhuma das novas equipes de construtores que foram selecionados.

Todavia, é importante lembrar que, se os construtores serão oito, as equipes de escuderia, de antemão, atualmente, já são dez e que, portanto, ao menos sete, dessas oito "novas equipes de construtores", já nascem comprometidas, diretamente, em associação com equipes de escuderias pré-existentes. São elas:
Sobram apenas três escuderias: AMLIN AGURIDRAGON RACINGE.DAMS-RENAULT, e apenas um construtor autorizado também sobrando em minha conta: a Renault Sport (então não é difícil imaginar como ficarão elas, não é?!?). 

Portanto, assim como a Renault já passou a ser patrocinadora do título da E.Dams, desde Julho do ano passado e, consequentemente, a Renault Sport é quem deverá ser a construtora dos carros dessa equipe, a mesma Renault Sport, muito provavelmente, deverá pegar, também a Amlin Aguri (parece óbvio, pois, não há (ainda) nenhum construtor japonês, e a Renault é parceira mundial da Nissan, com o brasileiro Carlos Ghosn fazendo a ponte Tóquio-Paris). A Renault deve pegar também (ao menos a princípio) a americana Dragon Racing, para construir os novos carros para estas escuderias (que poderão até ser o mesmo modelo de carro atual, com melhorias).

Assim, mesmo com essa mudança, a Renault continuará a ser a marca de empresa montadora de carros comerciais mais influente do campeonato FIA de Formula E (e popularmente, a única), e poderá, ainda,  manter a sua parceiria com sua conterrânea, a STR, que como eu disse antes, tem sido a única verdadeira construtora até aqui, a participar ativamente, oficialmente, do circo da Formula E.

A ideia por trás de tudo é a de aumentar ainda mais as credenciais da Formula E como um banco de ensaio para o desenvolvimento da tecnologia de veículos elétricos (VEs), tornando a série como um campeonato aberto que permite aos construtores perseguir suas próprias inovações em casa, começando com o desenvolvimento de motorizações sob medida.

Os novos carros desenvolvidos poderão até vir a ter novos nomes próprios, no futuro. Compare esta nova situação que virá para a temporada 2015/2016, com a que existe ainda hoje, de Carro Fórmula E Padrão Oficial - que é o Spark-Renault SRT 01E. Veja abaixo o vídeo da versão completa da corrida da 4ª etapa do campeonato de Formula E 2014/2015 - em Buenos Aires - Argentina (com locução em inglês).


Apesar de também fazer parte do sistema de transmissão (do chamado powertrain), o pacote de baterias, ao que tudo indica, será mantido como padrão, Atualmente a bateria de tração é fornecida pela Williams Advanced Engineering (o que é outro motivo para a STR se manter no negócio, pois o contrato da WAE é de exclusividade com a STR). O pacote de bateria de tração compreende, além do arranjo de ligação das células da bateria, empacotado, também o sistema eletrônico de gerenciamento da bateria.

A Williams se tornou-se uma experta em baterias, a partir do seu programa de Formula 1, após a introdução do seu Sistemas de Recuperação de Energia Cinética, em 2009. Com base nos sistemas de baterias usadas nos carros de Fórmula 1 dela, a Williams criou uma nova bateria e o sistema de gerenciamento de bateria associado, que são capazes de alimentar um carro de corrida totalmente elétrico, capaz de alimentar uma carga produzindo uma potência de até 200 kW (o equivalente a 270 bhp).

Será apenas na próxima edição de progressão do regulamento da FIA Formula E, prevista para a terceira temporada, que veremos os construtores estenderem os seus esforços de desenvolvimentom também para as baterias, com o objetivo final de durante as corridas da quinta temporada, haver o uso de um único carro por piloto (o que ainda não acontece hoje).

O complemento do Sistema de Armazenamento de Energia Recarregável (RESS, Rechargeable Energy Storage System), como o emprego de supercapacitor, flywheel (um dispositivo mecânico que é utilizado para armazenar energia rotacional), bateria extra e o conversores, por exemplo, já eram de projeto livre, antes dessa mudança, porém eram e continuam sujeitos a homologação pela FIA.

Com a flexibilização de escolha do Motor Elétrico, da Transmissão Eletrônica e Controles, perde exclusividade na Fórmula E, principalmente, a McLaren Electronic Systems. Já, a Michelin, deve continuar exclusiva com a oferta dos pneus, enquanto a Qualcomm (possivelmente) se manterá com o sistema de carregamento (ou recarregamento) de baterias.

O Presidente da FIA Jean Todt disse: "O lançamento do Campeonato FIA Formula E tem sido um grande sucesso. Esta disciplina inovadora e espetacular está no processo de obtenção de esportividade e credibilidade técnica, e a chegada de construtores para sua segunda temporada é a próxima etapa no desenvolvimento da Fórmula E.

"A abertura gradual dos regulamentos irá promover a inovação, e, ao mesmo tempo manter os custos sob controle. As soluções escolhidas pelos fabricantes, esperamos levar a um rápido desenvolvimento das tecnologias focada no futuro que estão no centro de Fórmula E", acrescentou. "Em termos de construtores escolhidos, estamos satisfeitos com a qualidade das candidaturas recebidas e o número de construtores envolvidos reflete o enorme interesse gerado pela Fórmula E."


Alejandro Agag, CEO da Fórmula E, acrescentou: "É fantástico para a Fórmula E ter muitos construtores que querem fazer parte do campeonato depois de apenas quatro corridas, e mostra grande confiança na série. Um dos nossos objetivos desde o início foi o de promover a concorrência da tecnologia, mas não podemos fazer isso como organizadores do campeonato, precisamos de 'atores' para entrar e desenvolver tecnologias para lutar uns contra os outros nas corridas. Através desta luta melhora-se a tecnologia e, em seguida, com esta tecnologia melhorada podemos melhorar carros elétricos em geral. Esperamos que mais fabricantes se juntem a partir da terceira temporada em diante e nós já estamos conversando com muitos diferentes fabricantes e OEMs também. "

O processo de homologação para monopostos para a temporada 2015/16 da Formula E já começou !!


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