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domingo, 6 de dezembro de 2015

Faróis de Rodagem Diurna (ou Luzes de Circulação Diurna) - DRL


O que são as Luzes Diurnas (DRL)


Faróis de Rodagem Diurna (ou, Luzes de Circulação Diurna, ou, ainda, simplesmente, Luzes Diurnas, sigla em inglês, DRL, de Daytime Running Lights) são uma característica nova para prevenção de acidentes de veículos vendidos nos Estados Unidos, mas eles foram usados, antes, por vários anos no Canadá e na Escandinávia. As DRLs ajudam a prevenir acidentes, tornando os veículos mais conspícuo (claramente visível, ou facilmente notado).

Em geral, nos sistemas DRLs, as lanternas traseiras permanecem apagadas, evitando conflito com a visibilidade das luzes de freio, enquanto as que lâmpadas para uso diurno, em geral, apenas dianteiras, emitem luz menos intensa.

A lei dos EUA permite, agora, MAS NÃO EXIGE, ainda, as DRL, as quais são ativadas, automaticamente, quando a ignição é ligada, e que são reconfiguradas, também automaticamente, quando os faróis regulares são ativados ao comando do motorista. 

A luz das DRLs, normalmente, podem equivaler às dos faróis de altos, mas em intensidade reduzida, ou às dos faróis baixos, com a potência máxima ou reduzida. Lanternas traseiras e / ou luzes sinalizadoras de conversão também podem ser acesas. Em alguns veículos, apenas os piscas, ligados continuamente, podem funcionam como DRL, especialmente quando os faróis estão escamoteados.


Porém, quais são as vantagens de segurança das DRLs?

Luzes diurnas são um método de baixo custo para reduzir os acidentes. Elas são especialmente eficazes na prevenção de colisões frontais e frontais laterais durante o dia, aumentando conspicuidade do veículo, tornando mais fácil detectar veículos que se aproximam, enquanto eles ainda estão mais distantes.

Quão eficazes são as DRLs? 


Quase todos os relatórios publicados indicam que as DRLs reduzem os acidentes por "engavetamento" (colisão de múltiplos veículos) durante o dia. Evidências sobre os efeitos das DRL sobre colisões vêm, principalmente, de estudos realizados na Escandinávia, Canadá e Estados Unidos. 

Um estudo que analisou o efeito da lei da DRL (onde, diferente do que se pleiteia fazer no Brasil, a presença das DRLs nos veículos não começou como acessórios que ficam por conta dos motoristas, mas, sim, se tornaram, por antecipação, itens instalados obrigatórios de fábrica) da Noruega, abrangendo levantamento do período de 1980 a 1990, encontrou um declínio de 10% colisões múltiplas de veículos diurnas.

Um estudo dinamarquês relatou uma redução de 7% em acidentes relevantes para as DRLs nos primeiros 15 meses após o uso de DRLs foi exigido, e um declínio de 37 por cento em acidentes por conversão à esquerda. 

Em um segundo estudo, que abrange quase os três anos iniciais da lei da Dinamarca, houve uma redução de 6 % em engavetamentos de veículos diurnos, e uma redução de 34% em acidentyes por conversão à esquerda. 

Já, um estudo de 1994 do Departamento de Transportes do Canada comparando veículos de ano modelo 1990 (com DRLs) e veículos ano modelo 1989 (sem DRLs) descobriu que as DRLs reduziam engavetamentos diurnos de veículos em 11%.

Por sua vez, nos Estados Unidos, um estudo institucional de 1985 determinou que os veículos de passageiros da frota comercial modificados para funcionar com DRLa estavam envolvidos em 7% a menos de acidentes de múltiplos veículos durante o dia do que os veículos similares sem DRLs. 

Um estudo com uma pequena frota com DRL realizados na década de 1960, encontrou uma taxa de queda comparativa de 18% para engavetamentos. Acidentes diurnos de múltiplos veículos representam cerca de metade de todos os acidentes relatados pelas polícias rodoviária e de trânsito nos Estados Unidos.

Onde as DRLs são necessária / obrigatórias? 

Leis no Canadá, Dinamarca, Finlândia, Hungria, Islândia, Noruega e Suécia exigem que os veículos operem com as luzes acesas durante o dia. 

Existem dois tipos de leis:

O Canadá exige que os veículos sejam equipados com DRLs. 

O outro tipo de legislação vigente na Dinamarca, Finlândia, Hungria, Islândia, Noruega e Suécia requer que os motoristas garantam o acendimento dos faróis se seus veículos, caso eles não tenham as DRLs automáticas. Este tipo de lei se aplica aos motoristas apenas, enquanto os veículos não têm de ser especialmente equipados com DRLs por força de lei. Todavia estes são, justamente, os países em que, de modo espontâneo e precursor, a indústria automotiva local comprou a ideia das DRLs.

Em 1972, a Finlândia criou lei para o acendimento de luzes diurnas no inverno em estradas rurais e, uma década mais tarde, a Finlândia tornou o emprego de DRLs obrigatória durante todas as estações do ano.

Já, na Suécia, a lei semelhante entrou em vigor em 1977. Na Noruega em 1986, na Islândia em 1988 e na Dinamarca de em 1990. 

A Hungria exigiu que os motoristas em estradas rurais operarassem com luzes do veículo ligadas desde 1993. 

Por sua vez, o Canadá exige DRLs para veículos fabricados após 1º de dezembro de 1989. 

Até o presente, nenhum dos Estados dos EUA criou leis estaduais para as DRLs, embora alguns exijam, apenas, que os motoristas operem com os veículos com luzes acesas em mau tempo.

As DRLs estão disponíveis em veículos nos Estados Unidos? 


Oferecido em um certo número de carros de passageiros, picapes e utilitários esportivos nacionais e estrangeiros ano modelo 1995, as luzes diurnas estão se tornando uma característica cada vez mais comum por lá. 

Elas se tornaram, naturalmente, o padrão em todos os modelos de 1999 em diante da GM, Lexus, Saab, Suzuki, Volkswagen e Volvo,bem como o Toyota Avalon, Camry Solara, Corolla, e o Sienna. Eles são opcionais no Toyota Camry e Tacoma e em alguns BMWs. A GM oferece kits DRL para atualizações dos veículos que ainda não têm DRLs. Tais kits podem ser utilizados, também, em modelos não-GM.


Por que demorou tanto tempo para introduzir DRLs nos Estados Unidos? 


Curiosamente, nos EUA, algumas leis estaduais de iluminação inadvertidamente proibiam as DRLs até que a Administração Nacional de Segurança de Tráfego em Rodovia (NHTSA) concordou em permitir que os fabricantes de automóveis as oferecessem em veículos vendidos em todos os 50 estados. 

Esta ação, que antecipou as leis estaduais, seguiu de uma petição apresentada pela General Motors. O Instituto tinha apresentado uma petição semelhante com base em estudos que mostravam que DRLs são uma maneira barata para reduzir as colisões entre veículos durante o dia. 

Depois de inicialmente ter feito concessão para esta petição, a NHTSA acabou criando uma regulamentação em 1988, dizendo que o assunto não era claramente uma questão de segurança nacional e que os fabricantes de automóveis "tendiam a opor-se, ao invés de apoio, a proposta". Em seguida, a NHTSA mudou de rumo novamente, aprovando as DRLs em 1993.

DRLs são eficazes nos EUA e no Brasil?  


Países onde DRLs são necessários, obrigatoriamente, geralmente têm níveis mais baixos de luz ambiente durante o inverno e períodos mais longos de anoitecer e de amanhecer do que os Estados Unidos. 

Embora estudos têm indicado que as DRLs reduziram acidentes na América do Norte e na Escandinávia, o impacto que tem ocorrido nos EUA ainda não foi totalmente determinado, desde que as DRLs têm sido utilizadas apenas de forma limitada lá. 

Os efeitos positivos encontrados na avaliação das DRLs no Canadá são importantes porque a maioria da população do Canadá é a uma latitude mais baixa do que na Escandinávia. Além disso, DRLs americanos são mais brilhantes do que DRLs europeus. Isso deve aumentar o contraste visual entre os veículos e as suas origens, apesar da mais brilhantes condições de luz natural.

No passado, o Brasil não possuía regras específicas para a iluminação automotiva. Foi somente nos anos 80 que legislações impuseram a obrigatoriedade das luzes de ré, de conversão de direção e de freios, bem como determinaram os tons de cores para cada. Mais recentemente, em 1998, as regras foram atualizadas quanto ao que concerne a cores das luzes, contudo, sem ainda tornar obrigatório a presença de novos requisitos internacionais, como os sinalizadores laterais de conversão de direção (Side Marker Lights) cuja presença auxilia na prevenção de acidentes por fornecer melhor visualização do veículo.

Países próximos da Linha do Equador, em geral, nem ao menos recomendam o emprego das DRLs, pois o sol brilha quase sempre. Ligar faróis baixos comuns durante o dia, sob a luz sol brilhante do sol, de fato, causa algum incômodo aos demais usuários das vias de trânsito, tanto que lâmpadas para uso diurno, em geral, emitem luz menos intensa.

Por isso as DRLs envolvem uma das maiores discussões técnicas sobre segurança no trânsito brasileiro. Até hoje não há consenso sobre a obrigatoriedade. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) apenas recomenda e ninguém pode ser multado por deixar de ligar faróis baixos durante o dia, exceto em túneis. O CTB exige lanternas acesas sob chuva forte ou neblina.

No sul do País, porém, policiais rodoviários costumam obrigar os motoristas a trafegar com faróis acesos nas estradas, atitude com certeza incorreta, do ponto de vista da lei em vigor, muito embora as condições de luminosidade natural do sul talvez requeressem uma legislação diferenciada quanto ao emprego de DRLs.

A regulamentação brasileira (comum para todas as regiões do país) das DRLs e dada pelo Art.1º § 1º da Resolução Nº 227 do Contran, de 09 de Fevereiro de 2007 que estabelece requisitos referentes aos sistemas de iluminação e sinalização de veículos, em geral. As especificações atuais para as DRLs no Brasil podem ser encontradas no anexo 14 da mesma resolução, onde as nomenclatura adotada é “Farol de Rodagem Diurna” (para o Contran / Denatran, porém, emprega-se, também, o termo "Luzes de Circulação Diurna" em legislação que se encontra em tramitação).

O Projeto de Lei N.º 3.923, de 2012 (Do Sr. Jilmar Tatto), por exemplo, que se encontra parado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania ( CCJC ) desde março de 2013, pretende alterar o artigo 105 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro, para estabelecer a obrigatoriedade dos veículos motorizados novos e comercializados no Brasil incluírem luzes de circulação diurna (DRL) que se acendem assim que a ignição é ligada. 

O emprego de sistemas DRLs irá encurtar a vida útil das lâmpadas ou a prejudicar a economia de combustível?


Entre as desvantagens estariam o aumento de consumo de combustível e de emissões de poluentes, queima de lâmpadas, baterias descarregadas ou menos duráveis e tendência ao “mascaramento” se milhares de veículos nas estradas e ruas acendessem os faróis simultaneamente. Entretanto, a iluminação por LEDs (diodo emissor de luz) resolveu parte desse problema. Consomem pouca energia, duram mais de 5.000 horas (praticamente por 250.000 km, vida útil média de um automóvel) e emitem luz branca e forte o suficiente para ótima visibilidade diurna. Seu preço caiu bastante com o avanço tecnológico.

O preço das luzes de LED caiu bastante com o avanço tecnológico, enquanto que manter ligadas luzes do veículo durante o dia não encurtam significativamente a vida útil dessa lâmpadas. Sistemas como aqueles em carros da General Motors que utilizam feixes de alta são projetados para operar com metade da sua potência normal durante o dia, conservando assim energia e reduzindo o efeito sobre a economia de combustível de um veículo. 

A NHTSA estima que apenas uma fração de uma milha por galão é perdido (equivalendo um aumento de consumo de cerca de 2%), dependendo do tipo de sistema usado. A General Motors estima o custo extra em combustível é de cerca de US $ 3 por ano para o motorista comum. O Departamento de Transportes do Canada estima os custos de combustível e substituição de lâmpada anuais extras é para ser de US $ 3 ~ 15 para sistemas que usam faróis de intensidade reduzida ou outras lâmpadas de baixa intensidade e mais de US $ 40 por ano para sistemas DRL utilizando lampadas regulares (antigas) de faróis baixos.

Os motoristas serão incomodados (visão ofuscada) por brilho? 


Na maioria dos países onde DRLs são obrigatórios, o brilho não foi um problema. No entanto, alguns motoristas nos Estados Unidos se queixaram de que os sistemas de lá estavam muito brilhantes. Em resposta a estas queixas, a NHTSA propôs reduzir a máxima intensidade de luz permitida de 7.000 para 1.500 candela, um valor mais alinhado com DRL europeus.

Uma vantagem decisiva das lampadas de LEDs é que elas permitem formar qualquer contorno luminoso que os desenhistas de veículos possam imaginar. Dessa forma, o efeito de homogeneidade com potencial de atrapalhar a noção de distância ou de profundidade desaparece. Motocicletas de faróis acesos, em meio aos carros, por exemplo, não seriam confundidas.

Lanternas dianteiras de LEDs, incluindo a função DRL, ficam permanentemente acesas, logo ao ligar a ignição, cumprindo as especificações técnicas que as exigem, recomendam ou permitem.


Motocicletas são obrigadas a ter DRLs?


As leis federais (tanto norte-americanas, quanto a brasileira) não exigem que motocicletas tenham DRLs, apesar de todos os fabricantes voluntariamente já terem começado (nos EUA) a equipar seus produtos com esses sistemas de luzes. Já, alguns estados norte-americanos, incluindo Califórnia (lá os Estados podem ter leis de transito específicas) exigem as luzes, enquanto outros 22 estados exigem que os motociclistas trafeguem com os faróis acesos em todas as horas.

Perspectivas:


Outro Projeto de Lei brasileiro, também parado na na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) desde março de 2014, e que teve o deputado Deputado Arolde de Oliveira (PSD/RJ) como relator na Comissão de Viação e Transportes, e o PL 3522/2012, no qual a obrigatoriedade do DRL para automóveis novos (como ocorre na União Europeia desde 2011) foi posta de lado para que houvesse a chance de se analisar primeiramente o impacto do uso de faróis durante o dia nas estradas.

Este último projeto de lei, apesar de ser o que apresenta as maiores chances de chegar ao fim de trâmites com aprovação não me parece ser algo bom para os motoristas, pois, sem a devida automação, e sem a adequação luminosa necessária, os motoristas ficam a merce de serem punidos, sistematicamente, pelos famosos esquemas de fabricação de multas que existem, e que tanto têm agradado aos prefeitos de certas cidades.


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Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.