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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Nissan LEAF 2018 (2ª Geração) Terá Capacidade da Bateria e Autonomia Muito Maiores


Que o Nissan LEAF tem se mantido como o Veículo Elétrico Popular de Referência Mundial, creio que todos saibam e concordem, mas, que esse produto já estava irritando o mercado pela grande demora em integrar melhorias que já lhe eram, sabidamente, possíveis de serem implementadas, sem maiores dificuldades, isso também é um fato. Contudo, um fato que parece estar chegando ao fim ...

Desde o seu lançamento, em 2010, até meados de 2013, o Nissan LEAF tinha somente a opção de um Carregador Embarcado (o dispositivo que permite o carregamento do pacote de bateria em ambiente doméstico via uma EVSE, uma fonte de CA (uma tomada de Corrente Alternada) de 220 Volts externa), e que é o elemento preponderante para determinar quanto tempo decorre no processo mais simples de recarga completa da bateria, que era de uma Potência Nominal tão baixa quanto apenas 3,3 kW

Contudo, naquele ano (2013), esse item apresentou um grande salto evolutivo, passando, de uma única vez, para a Potência Nominal de 6,6 kW (ou seja, o dobro da potência nominal anterior), se bem que isso é, até os dias de hoje, o carregador embarcado de maior potência é oferecido na hora da venda do VE apenas como um "item opcional" (ainda há o carregador embarcado de menor potência, declarado, atualmente, como 3,6 kW), e não como uma melhoria evolutiva (natural) que com o tempo acaba por se tornar "gratuita" (de mesmo custo ou até de custo menor). 

Os pacotes de baterias dos Nissan LEAFs dotados de carregador embarcado de 3,3 kW podem ser totalmente recarregados (a partir de vazios) por um processo de recarga com duração de 8 horas. Já, os modelos com um carregador embarcado de 6,6 kW podem ser totalmente recarregada, a partir de vazios, em 4 horas (com o dobro de potência nominal do carregador embarcado o tempo de recarga pode se reduzir a metade).

Essa evolução foi tão ansiada (e comemorada, veja as NOTAS nessa postagem, publicada ainda em 2012, "Sobre Carregamento de Veículos Elétricos") que pouca gente se deu conta que naquela mesma época (ano de 2013), o Nissan LEAF obteve uma melhoria de 15% da sua economia de energia nas classificações combinadas (estrada e cidade) da EPA (US Environmental Protection Agency).

Se o TEMPO DE RECARGA de um VE é um item que tem uma importante prioridade na mente dos usuários de VEs para tomada de decisão, a AUTOMONIA (o deslocamento que é possível de ser realizado com o consumo de uma carga completa do pacote de bateria) o é ainda mais. É exatamente quanto a isso a tal "irritação" a qual eu me referi. A maior parte do (parco) crescimento da autonomia que o Nissan LEAF teve até agora foi obtido em decorrência de "economia de energia", muito pouco tendo evoluído a efetiva capacidade de energia disponível no pacote de bateria dele.

Com mais de 185.000 unidades vendidas em todo mundo, o Nissan LEAF ano modelo 2016 já tem opção com pacote de bateria de 30 kW.h, com autonomia de 172 km (EPA) ou 200 km (NEDC)

Desde o seu lançamento até o ano modelo 2015 a capacidade de energia do pacote de bateria do Nissan LEAF foi, nominalmente, dos mesmos 24 kW.h, apesar de ter havido, sim, uma "pequena" mudança na química da bateria1, que ajudou, de certo modo, numa elevação da autonomia, ela foi atribuída, muito mais, como uma necessidade de dotar a bateria do LEAF de um melhor desempenho quando o VE é operado em regiões de climas mais quentes e úmidos. Nos falamos disso, aqui neste blog, em 2014, na postagem A Nova Química da "Bateria Lagarto" do Nissan LEAF e a Nissan no Brasil.

Assim, graças a tais fatores, nesse relativamente longo período (2010 ~2015) a autonomia do Nissan LEAF evoluiu um pouco:
  • Desde 117 km (73 milhas) passando para 135 km (84 milhas) na classificação EPA (norte-americana), ou seja, um aumento de meros 15,4%, ou;
  • Desde 175 km (109 milhas) passando para 200 km (120 milhas) na classificação NEDC (New European Driving Cycle), ou seja, um aumento de meros 12,5%. 
Todavia, desde o ano modelo 2016, o Nissan LEAF já passou a ter opção com bateria de capacidade nominal 30 kW.h (Nissan LEAF modelos SL e SV)2, ainda que tenha sido mantida a venda também a opção com bateria de capacidade nominal antiga, de 24 kW.h (Nissan LEAF modelo S). Com a nova capacidade de 30 kW.h, a autonomia saltou, por exemplo, para 172 km (107 milhas) na classificação EPA, um salto de 27,4% de uma vez.

Essa foi, evidentemente, uma evolução nada desprezível. Porém, a evolução da capacidade de energia do pacote de bateria que está por vir para o Nissan LEAF, muito provavelmente começando na produção da segunda metade do próximo ano, será ainda maior: está confirmada, desde anúncio feito em Junho/2016, a opção com emprego de uma bateria de 60 kW.h para o Nissan LEAF, o que propiciará que essa "segunda geração" do LEAF tenha uma autonomia de, no mínimo, 200 milhas (322 km).

Novo Pacote de Baterias para o Nissan LEAF, com Capacidade de 60 kW.h (ao fundo, à direita) alguns componentes 
Como pode ser observado na foto acima, não apenas a química das novas células está sendo alterada em relação às células empregadas anteriormente, mas, também a estruturação do pacote de baterias está sendo alterada (compare com o que publicamos aqui, em 2012). De fato, o arranjo já mudou desde o pacote de bateria de 30 kW.h do ano modelo 2016, quando passou de 48 módulos, com cada módulo contendo 4 células (totalizando de 192 células) para 24 módulos, com cada módulo contendo 8 (novas) células (totalizando as mesmas 192 células).

Eu, particularmente, confesso que não esperava tanto: um aumento da capacidade do pacote de bateria para 60 kW.h, de uma vez. Eu esperava (se bem que eu penso que eu esperei bastante tempo) por aumento para, no máximo, uns 40 ~ 48 kW.h (se bem que falar em declarações / classificações de Valores Nominais sobre especificações de produtos industriais, hoje dia, está ficando cada vez mais complicado, pois, bastante frequentemente, tais valores tem sido estabelecidos com "variáveis políticas" embutidas neles, sempre os distanciando, seja para mais, ou para menos, dos respectivos valores efetivos).

Além do mais, o fato da Nissan colocar no mercado LEAF com bateria de 60 kW.h, não significa que toda a oferta de LEAFs será apenas com essa bateria. Acredito que, por conta da necessidade de poder atender a um público de poder aquisitivo menor, deverá haver opções de mais baixo custo e, a ideia de se ver pacotes de baterias menores (de 40 ~ 48 kW.h, como eu sugeri), é algo muitíssimo provável.

Entretanto, note: Não havendo desvios muito consideráveis entre "o nominal" e "o efetivo", com 60 kW.h podemos esperar uma autonomia chegando próxima de 300 milhas.

Assim, comemore, pois, o que mais importa é que, agora, com o anúncio feito pelo chefe de desenvolvimento dos VEs da Nissan, Kazuo Yajima, que foi quem primeiro confirmou o pacote de bateria de maior capacidade, consequentemente, deve acabar a maior das desculpas dos motoristas, pois, até mesmo um VE do tipo popular (tal como o Nissan LEAF) já pode oferecer uma autonomia bastante satisfatória.

Os pacotes de baterias de 30 kW.h e de 60 kW.h, lado a lado.

Outro dado bastante animador e digno de nota que eu encontrei sobre os pacotes de baterias do LEAF vem de cerca de um ano e meio atrás, e foi publicado pela CleanTechnica, dando conta de que, na época, dos cerca de 35000 unidades desse VE vendidos na Europa, 99,99% dos pacotes de baterias continuavam em operação, ou seja, apenas 0,01% deles haviam, então, falhados, até ali.

Devemos agradecer a Nissan? ... Domo arigato gozaimashita

Mas, nem tanto! ... repare que no mercado do EUA a Nissan não se fez de rogada em aumentar o preço do (popular?) LEAF, a partir de US $ 29.010 para US $ $32.450, devido ao custo extra para oferecê-lo com um pacote de bateria de 30 kW.h (em vez de 24 kW.h). Portanto, devemos agradecer, sim, mas a gratidão maior deve ser prestada à existência, a nível mundial, de um Mercado de Concorrência QUASE Perfeita em Veículos Elétricos. 

Fato é que, se a Nissan não tomasse essa tal providência (de partir para bateria e autonomia maiores), o Nissan LEAF não teria como concorrer, principalmente, com o novato Chevrolet Bolt EV (com seus alegados 60 kW.h e 238 milhas de autonomia) e com o ainda vindouro Tesla Model 3, e ela, que foi uma pioneira no renascimento dos VEs, emplacando de cara um carro mundialmente popular, mas, que já vinha tendo suas vendas prejudicadas por antecipação, corria o sério risco de ser posta para fora do mercado, num futuro bem breve.

Simples assim! A concorrência determinou os novos patamares para o "padrão de especificações técnicas". Resta saber: QUEM PODE FAZER POR MENO$$$.

Porém, parece que as novidades do Nissan LEAF dessa 2ª geração não devem parar ai, pois, tudo leva a crer que ele deve vir algo bastante consistente que permitirá uma condução mais segura. Isso é sobre a condução autônoma, mas, eu não falo muito nela porque eu mesmo não a vejo com bons olhos, mas, um sistema que possa assumir, autonomamente, certas atitudes emergenciais que vissem a compensar eventuais falhas humanas, sim. Já, quanto ao corpo do carro, também haverá novidades com, muito provavelmente, o início do do emprego de 100% fibra de carbono (CFRP - Carbon Fiber Reinforced Polymer (Plastic)).

Nissan Leaf Será Fabricado no Brasil em 2017?


Não apenas eu torço para que sim, como, de acordo com o Jornal do Carro (Estadão), sim, o VE Nissan LEAF será fabricado no Brasil a partir de 2017. A intenção de fabricar o hatch médio de emissão zero já havia sido vislumbrava em um acordo de entendimento com o governo fluminense desde 2013 (conforme tratamos em Nissan Construirá Nova Fábrica em Resende - RJ - Enfim, o Carro Elétrico?).

No entanto, o impulso veio com a recente aprovação, na Comissão de Meio Ambiente do Senado, de um projeto de lei que isenta de IPI carros elétricos e derivados de fabricação nacional, assim como isenção de imposto de importação para peças e componentes sem similar nacional.

Assim, a Nissan vê condições favoráveis para a fabricação do LEAF (sim, tudo em maiúsculo, pois, LEAF não significa "folha", tal como a tradução a partir da língua inglesa sugere, mas, sim, segundo a própria Nissan é um acrônimo para "Leading, Environmentally Friendly, Affordable Family Vehicle") no Brasil, que se dará em uma parte da planta de Resende - RJ, inicialmente em CKD (Completely Knocked Down, os subconjuntos são enviados desmontados por outra fábrica no exterior para reduzir o frete cobrado com base no espaço (volume) ocupado pelos itens, para ser montado no Brasil).



Obviamente que a nacionalização virá (e, de fato, está prevista para ocorrer a partir de 2020), mas, com o dólar ainda alto, a fabricante japonesa não arrisca uma previsão de preço e ou volume de produção. Entretanto, com o IPI zerado, ele deverá ter redução entre 25% e 30% no preço final.

A melhor parte da notícia é que, diferente do que ocorreu com o Toyota Prius (um "elétrico" híbrido que, muito diferente do Toyota Prius Prime que há "la fora", no Brasil por não pode, até hoje, ser recarregado na tomada e, por isso, está mais próximo de apenas carro a gasolina muito econômico do que de um VE), o modelo de LEAF a ser feito aqui será o de segunda geração (que discutimos anteriormente ... mas, se não for, eu vou ser o primeiro a "buzinar" daqui), cuja autonomia do pacote de baterias será bem maior do que o dos táxis Nissan LEAF que estão em testes no Brasil já por vários anos.

Se você, como eu sabe das suas capacidades (e do seu potencial) e está buscando uma nova colocação / ou recolocação no mercado de trabalho (se está desempregado, como eu) tente a Nissan - Trabalhe Conosco.

Atualmente a própria Nissan produz, em parceria com a NEC,  desde as células até o conjunto completo de todos pacotes de bateria empregados no Nissan LEAF. Entretanto, muito provavelmente algo deverá mudar quanto a isso com o advento dos novos pacotes de bateria de 60 kW.h, e a parceria deverá ser com LG Chem (a Lucky GoldStar Chemical, a maior empresa de produtos químicos da Coreia do Sul, sediada em Seul). Veja, neste vídeo, como a produção dos pacotes de baterias é, atualmente, levado a cado na planta da Nissan de Baterias em Smyrna, Tennessee, EUA:


B-Roll: Nissan Battery Plant

Smyrna, Tenn.

Notas:


  1. Até o lançamento da nova química ("lagarto"), as célula de bateria da LEAF eram fabricadas pela NEC, sendo uma célula tipo prismática com elementos empilhados, um cátodo Espinela de Lítio Manganês (LMO) - LiMn2O4 (ou LiMnO2) da Nippon Denko, um ânodo de grafite da Hitachi Chemicals, um separador a seco Celgard PP, e um eletrólito complexo orgânico do tipo LiPF6 (Hexafluorofosfato de Lítio), Tomiyama. Até os dias de hoje eu mesmo não encontrei detalhes reveladores precisos e confiáveis sobre a "pequena" mudança na química da bateria do Nissan LEAF que lhe possibilitou ser dotada do atributo "lagarto". Muitas especulações dão conta de que a mudança se deu (principalmente) no eletrólito, com a inclusão de uma substância. Outras discussões sugerem que os separadores foram revestidos com cerâmica na nova química;
  2. Recentemente a Nissan renomeou estes mesmos modelos do LEAF (que vale para o ano modelo 2017), onde S = S24; SL = S30; enquanto o SV, a versão mais completa e cara, permanece SV (US $34.200, preço sugerido pelo fabricante).

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