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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Estratégias para o Desenvolvimento do Setor de Eletroeletrônicos no Brasil (Uma História que Ainda Não Aconteceu) - Parte 2


A China lançou, no início deste mês de Outubro/2012, um plano para estimular sua “subdesenvolvida indústria de veículos elétricos”, com a meta de tornar a indústria mais competitiva no mercado global. Essa é uma notícia que nos chega.

O plano do governo central chinês pede a produção de 500 mil carros elétricos e híbridos até 2015, com o volume de fabricação dos dois tipos atingindo 2 milhões de unidades até 2020, informou o site oficial do governo chinês. Com a implementação do plano, o consumo médio de combustível por veículo de passageiros deve diminuir para 6,9 litros de gasolina para cada 100 quilômetros até 2015, enquanto o uso de combustível por veículo de passageiros específico com economia de energia cairá para menos de 5,9 litros para cada 100 quilômetros. É o que eles almejam em previsão.

Já, até 2020, o consumo médio de combustível deverá ser de 5 litros, enquanto a cifra para os carros com economia de energia ficará em 4,5 litros, apontam eles. Entretanto, alguns especialistas da indústria advertem que a China enfrenta, de modo geral, disparidades em termos globais no desenvolvimento do setor, já que outros fabricantes de automóveis, sediados em países desenvolvidos, também estão, continuamente, reforçando suas linhas industriais de carros elétricos.

Quem já teve a oportunidade de poder dar uma boa olhada nos veículos elétricos chineses, pôde constatar que a disparidade, de fato, existe, mas dai, a poder afirmar que tais disparidades são cada vez maiores, ou está cometendo um ledo engano, ou está, simplesmente, expressando uma tendência natural de pretender subestimar os chineses. Algo típico de quem se sente ameaçado, ou está apenas enciumado.

Tecnologias essenciais "atrasadas" e a falta de produção de grande escala – afirmam - causaram o atraso do setor de veículos elétricos do país em comparação com outras economias desenvolvidas, algo que é reconhecido pelos próprios chineses, segundo o Relatório de Desenvolvimento da Indústria de Automóvel da China 2012.

O documento indica que os próximos 20 a 30 anos serão um "período crítico" que verá a formação de uma indústria global de veículos movidos a novas energias. Os principais países de produção de automóveis, como Estados Unidos, Japão e Alemanha, já fizeram esforços para estimular suas indústrias de carros elétricos.

O plano chinês reconhece que, os avanços relacionados a tecnologias essenciais de baterias e componentes-chave de automóveis serão uma importante meta para a indústria automotiva mundial nos próximos anos. O plano revela ainda que mais instalações de recarga serão construídas dentro de cidades e entre cidades para satisfazer as demandas.

Ao meu ver, a China, que como o Brasil ainda é classificada como um país emergente, está no caminho certo de investimentos e de desenvolvimento. Até o Japão, há bastante tempo já, reconhece a “ameaça chinesa”. Iniciativas que se verificam em nosso próprio país, são algo tímidas, inexpressivas, comparadas ao esforço chinês para desenvolver tecnologias e buscar, agressivamente, expandir mercados.

Você acha importante que o Brasil também tenha um carro elétrico com tecnologia nacional? A essa pergunta, aposto que a grande maioria, quase todos os brasileiros, responderão que sim. A investida brasileira mais expressiva que se apresenta é a do grupo Vez do Brasil, que demonstra apostar, acertadamente, em veículos 100% nacionais superleves, porém persistindo em afirmar, de modo anacrônico, contrário a todas as claras tendências mundiais, que os carros só terão um preço acessível, propiciando deslanche do nosso mercado, quando a indústria conseguir utilizar baterias que não sejam de íon de Lítio.

Isso posto, fica uma questão: Os chineses estão tomando o atalho errado, por ter apostado, de início, também em VEs super leves e básicos, simplórios até, mas dotados de baterias de Lítio “made in China”, ou nós é quem estamos vacilando ao não querer enxergar que os países do Mercosul são os “donos do Lítio global” e devem, urgentemente, formar parcerias para começar a produzir baterias baseadas em Lítio.

Atualmente, nem sequer uma mera estação de carregamento de VEs domésticas (EVSE) nós conseguiríamos montar, sem apelar em adquirir o bendito conector J1772 dos nossos melhores parceiros comerciais de 2012, os sábios chineses. Então, melhor revermos os nossos conceitos quanto a China e suas reais capacidades, ou continuaremos no vácuo dos VEs, sem eira nem beira, mordendo a própria língua.

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